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sábado, 22 de novembro de 2014

O Levantamento de Peso Olímpico – Pontos a Considerar.



Dentro do assunto “como melhorar a performance no Levantamento de Peso”, gostaria de salientar que, por várias razões, os resultados atingidos pela maioria das pessoas nunca chegarão a ser significativamente bons se forem comparados aos resultados dos atletas de ponta em nível internacional. Este fato não desabilita a importância em praticar o esporte e um aprimoramento geral vai fazer com que aconteça um progresso nas marcas pessoais e o praticante de qualquer nível poderá usufruir de todos os benefícios desta atividade  instigante e desafiadora. Através de um maior número de praticantes conscientes da necessidade de divulgação e de popularização do esporte, as marcas pessoais de todos poderão evoluir. Imagine se no Brasil a prática de outros esportes como: vôlei, basquete ou futebol fosse restrita apenas para o “alto desempenho”. Teríamos menos praticantes e as chances competitivas seriam bem menores.
 Antes que me julguem e me executem em praça pública, não estou falando nada que seja contra estes esportes mais conhecidos pelo grande público, mas pelas suas próprias características: esporte coletivo, substituições durante as competições, várias fases até chegar ao final da competição etc., obrigatoriamente demandam equipes enormes porque, além dos jogadores titulares, existem os reservas, a equipe técnica etc., e, em uma Olimpíada, esse grupo enorme concorre a apenas UMA medalha! No Levantamento de Peso, são disputadas muitas medalhas! Até 2016 eram 15 categorias. A partir de 1º de Janeiro de 2017, são 16 categorias de peso corporal - 8 no masculino e 8 no feminino. Ou seja, em um esporte disputam-se em uma Olimpíada 16 medalhas de ouro! Em outros campeonatos como por exemplo o Mundial de Levantamento de Peso este número triplica porque são premiados separadamente o Arranco, o Arremesso e o Total. Três medalhas por categoria! Então, vamos todos levantar peso e apoiar o esporte!
     
Os leitores tem que saber que o simples conhecimento teórico não irá ajudá-los a levantar muito mais peso se a teoria aprendida não for posta em prática. Dependendo de cada praticante, a dificuldade se apresentará mais clara na falta de técnica OU na falta de força. A força e a técnica têm mesmo nível de dificuldade para serem desenvolvidas. Um iniciante fraco e ruim num conjunto de reflexos é mais difícil tanto para adquirir técnica quanto força básica e neste caso, o caminho será um pouco árduo mas não impossível. Lembrando que Força e Técnica deverão evoluir em conjunto, afinal de contas os dois movimentos em que se disputa o Levantamento de Peso Olímpico são conhecidos como “Quick Lifts” – “Movimentos Rápidos”, e melhor seria se os definíssemos como “Movimentos Balísticos”. 

Dentro das já declaradas limitações nas marcas pessoais no Arranco e no Arremesso podem acreditar que possuo suficiente "know-how" para colaborar com aquele que quiser conhecer ou se aprimorar no esporte. Meus filhos – que no momento da publicação deste texto estão com 11 e 14 anos - são treinados por mim e enquanto estão crescendo (além de irem bem nos estudos), continuam evoluindo em Força e em Técnica, resultando em melhora nas marcas pessoais.

Mas a evolução só acontece quando a informação dada é entendida e executada.
E você acha que vai evoluir assistindo a um vídeo? As inúmeras filmagens a que principalmente os iniciantes e interessados pelo assunto, estudantes, etc. assistem ou que produzem, e por diversas vezes, gastam dinheiro em cursos para ficar filmando, ao invés de Prestar Atenção no exato momento em que as informações estão sendo dadas. Só se preocupam e ficam atentos em filmar a aula, sem prestar a devida atenção no momento necessário, que seria “ao vivo” quando a informação está sendo dada!
Depois de ler esta postagem, temos aqui no blog outra em que entro em mais detalhes sobre isso, vai valer a pena. O título é: “Confiança é Metade da Batalha - W.A. Pullum” :
Muitas vezes quando relemos um livro, qualquer que seja o assunto, nos deparamos com alguns detalhes que passaram desapercebidos. Portanto, se o assunto Levantamento de Peso atrai muito o seu interesse, leia e releia os artigos que passam por suas mãos.
Antes de entrar em pormenores técnicos, devo insistir para que todos tentem treinar a sério por um tempo. O segredo da técnica de levantamento é cultivar bons hábitos de levantamento. Seus pés, mãos e corpo devem se mover e se posicionar sem pensar, automaticamente – para isto, é importante executar uma quantidade de movimentos tão frequentemente quanto possível para que seja construído um hábito de movimentos quase instintivos.
DETALHES DE TÉCNICA E ESTILO
Ao observar levantadores de vários países ou mesmo de várias equipes de um mesmo país, temos que lembrar que cada técnico tem uma característica que irá se refletir em pontos positivos e negativos para seus atletas e o que também é importante em todos os esportes: Dentro da Técnica de Execução, encontraremos Vários Estilos. Quando uma nação ou uma equipe apresenta resultados surpreendentes, muitas vezes aquele Estilo acaba sendo copiado, e erroneamente considerado como "Escola" de algum determinado país. Só que não se pode simplesmente se resumir a uma "escola" à execução do movimento. Outros fatores são muito importantes, e abaixo citamos três: 

  • Protocolos de treinamento - apenas como resumo, podemos citar: planejamento de micro, meso e macrociclos. calculados com as variáveis de volume e inrtensidade a serem executadas em cada período, distribuição dos movimentos por características de cada exercício ajustarem às competições-alvo.
  • Planejamento do repouso ativo do praticante.
  • Planejamento do aquecimento de competição. 
  • E mais um monte de coisas, como: planejamento de estratégias de pedidas para aquela competição, etc.
E cada treinador vai dar seu "toque pessoal", conforme as necessidades percebidas para melhorar os resultados de seu atleta! Em resumo, batizar uma determinada forma de execução ou uma forma de iniciação pedagógica de "Escola" de determinado país, é no mínimo, uma definição completamente superficial! 

Ao assistir a vídeos de campeonatos internacionais,compare a posição dos pés na partida em atletas de vários países. Vai reparar que alguns apontam os pés muito para fora, outros mais para frente etc., outros utilizam uma posição de partida com os calcanhares mais próximos,  parecida com a dos irmãos Yoshiyuke e Yoshinobu Miyake, japoneses medalhistas olímpicos da década de 1960. Inclusive a filha de Yoshiuke, a atleta Hiromi Miyake, usa esta mesma posição de partida. Outros usam a partida mais convencional, mas cada um utiliza uma posição individual que lhe possa dar maior eficiência para a execução do movimento: 

Abaixo, você pode ver uma posição de partida bem estranha, com os braços entre as pernas. Dave Ashman partia no arremesso desta forma, veja mais abaixo a sequencia do primeiro tempo dele: 
    

DETALHES QUE PRECISAM SE TRANSFORMAR EM AUTOMÁTICOS E INSTINTIVOS
Depois de um tempo praticando, começamos a entender precisamente alguns detalhes que podem ser cruciais para a nossa evolução técnica e até mesmo competitiva. Um detalhe importante seria a sustentação da barra acima da cabeça. Quando o praticante começa a perder a barra depois de tê-la encaixado acima da cabeça, um dos principais motivos foi ter “afrouxado” os ombros, ou seja, não ter mantido o trapézio ativo. Isso se dá principalmente no Arranco, mas no Arremesso também acontece de não se conseguir sustentar o peso acima da cabeça e atribuir esta tarefa exclusivamente para os braços fica impossível. É surpreendente ter que repetir muitas vezes a orientação para que se tome uma posição de “juntar as escápulas” ou "abrir o peito" para fazer o trapézio se manter alto e ativo na sustentação da barra, para que a “responsabilidade” por sustentar o peso acima da cabeça não se dê pela força exclusiva dos braços. 
Alguns exercícios para fixar este movimento.
  • Exercitar o “encaixe” de Arranco partindo da posição com o peso nas costas na altura do trapézio, pulando para baixo do peso.
  • Agachamento de Arranco.
  • Se for possível utilizar argolas de Ginástica Olímpica sustentando o corpo com os braços.





Aprenda a ser capaz de deslocar os ombros para a frente e para trás com facilidade. Vá com calma com exercícios de mobilidade dos ombros pois o músculo deltoide e a estrutura do ombro estão entre as mais propensas a lesões e as mais difíceis de se tratar e de se curar.

Outro detalhe que muitos são inclinados a ignorar é sobre a recuperação imediata para voltar à posição ereta com pés paralelos e ficar parado para logo receber o comando para abaixar a barra. Talvez as muitas imagens de atletas no ponto mais baixo do Arranco ajudem a pensar que esta posição deveria ser mantida por um longo tempo para estabilizar a barra. A realidade é: A BARRA ESTÁ QUERENDO VOLTAR PARA O CHÃO! Então por que ficar mais tempo do que o necessário lá embaixo? Para subir bonitinho? Para estabilizar a barra? Algumas vezes sim, mas só o tempo necessário! Entretanto em outras vezes (MUITAS outras vezes), a estabilização do peso acontece enquanto se sobe com o peso para a posição ereta. Encaixou o peso, sobe logo!

DETALHE IMPORTANTE
A competição de Levantamento de Peso Não dá maior ou menor pontuação por uma execução bonita ou feia. Em resumo: Você só termina o movimento quando fica parado e ereto sustentando a barra acima da cabeça sendo necessário que, ao final do encaixe do peso, os braços não se dobrem e estejam totalmente estendidos. A regra é mais longa e existem vários itens que invalidam o movimento (tocar o chão com outra parte do corpo além dos pés, tocar as pernas com os cotovelos ou braços no encaixe do primeiro tempo do Arremesso, terminar o movimento sem que os braços estejam completamente fixos e estendidos etc.), e os árbitros estão presentes para perceberem estes detalhes, mas em resumo o resultado é: Levantou (luz branca) ou Não Levantou (luz vermelha). Não existe pontuação maior para uma “perfeita execução” ou menor para uma execução onde o atleta teve que recuperar o movimento andando pelo tablado ou se tremeu como uma vara de bambu para sustentar a barra acima da cabeça. O tablado de competição mede 4 x 4 metros, quer dizer, tem espaço para que se recupere o equilíbrio e por mais experiente que seja o praticante, os fatores que podem desestabilizar o movimento são inúmeros! Se fosse obrigatória a precisão do movimento para um levantamento ser válido, bastaria que o tablado tivesse apenas a medida de 1 x 2 metros. 
Levantamento de Peso Não é igual a um Salto Ornamental ou à Ginástica Olímpica, esportes em que o movimento executado é julgado por cada parte como: precisão, equilíbrio, nível de acrobacia etc. Levantamento de Peso é simples: se executado sem ferir as regras que invalidam o movimento, Válido. Do contrário, Inválido.

                                                                                                                Jorge Califrer

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Arkady Vorobiev - Métodos de Treinamento Russo


Em 22 de dezembro de 2012, morreu aos 88 anos o cientista e atleta bicampeão olímpico Arkady Vorobiev.

Vorobiev foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1952 em Helsinki (categoria 82,5 kg), medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1956 em Melbourne e em 1960 em Roma (categoria até 90 kg).

Além dos vários títulos de Campeão Europeu e Mundial, entrou para o Hall da Fama da Federação Internacional de Levantamento de Peso (IWF) em 1995.

Medalha de prata no Campeonato Mundial em 1950 (categoria de 82,5kg), campeão do mundo em 1953 (categoria de 82,5 kg) e em seguida na categoria 90 kg, campeão em 1954, 1955, 1957 e 1958. Medalha de prata em 1959. Terminou sua carreira internacional com medalha de bronze em 1961. Vorobiev definiu um total de 16 recordes em sua carreira.

Tornou-se um doutor em medicina e escreveu vários livros sobre Halterofilismo. Foi treinador da equipe nacional da União Soviética por muitos anos e levou a equipe soviética aos Jogos Olímpicos de 1964 e 1968. Seus livros e textos têm grande importância dentro do Levantamento de Peso e abordam todos os pontos importantes sobre o assunto, as técnicas de execução e o treinamento.
  
Aqui no Brazilian Weightlifting publicaremos uma pequena parte de seus textos, que serão de grande valor para os interessados no assunto. Fiquem ligados!
 Jorge Califrer


Métodos de Treinamento Russo:
Desenvolvendo Velocidade e Flexibilidade
Arkady Vorobiev (1968)

Velocidade
A velocidade pode ser melhorada em muito menor grau do que a força. Geralmente não ultrapassa 30-60% do esforço inicial. Uma pessoa destreinada pode correr 100 metros em 15-17 segundos. Após um treinamento longo e prolongado, este tempo pode diminuir para 10-12 segundos. Somente em raras circunstâncias pode-se conseguir uma melhora na performance perto de 100%. 

Para Levantadores de Peso, a velocidade é tão importante quanto a força. Os processos biomecânicos que ocorrem nos músculos durante a velocidade e o treinamento de força têm muito em comum. Os exercícios de velocidade, portanto, têm uma influência positiva na força, e os exercícios de força afetam a velocidade positivamente. Velocidade é aumentada apenas através de exercícios feitos em uma velocidade muito rápida.
Exercícios que apresentam um efeito positivo na velocidade:
  • Corridas de 20-50 metros.
  • Saltos em distância e saltos em altura, parados ou com corrida.
  • Lançamento de todos os tipos: dardo, bola de volei, medicine ball, etc.
  • Sprints de natação por 20-50 metros. 
  • Imitação dos Levantamentos usando bastão, barra ou pesos leves.
  • Arranco em pé e espaduamento (hang speed clean) usando bastão, barra ou pesos leves. 
Para o treinamento de velocidade, o número de repetições é muito importante.
Quando aparentemente o corpo está fatigado e o movimento começa a ficar lento, é melhor parar. Só os movimentos que são realizados com velocidade máxima trazem resultado. Portanto é melhor executar esses movimentos antes de iniciar o treino. Assim que os sintomas de fadiga aparecem, desaparecem os benefícios dos movimentos de velocidade.
É importante executar movimentos para desenvolver a velocidade muitas vezes, 3 ou 4 vezes por semana.


Condicionamento
Como condicionamento queremos dizer a capacidade do corpo para realizar uma certa quantidade de trabalho com uma determinada intensidade durante um certo período de tempo. Todos os atletas precisam de uma certa quantidade de condicionamento. Existem grandes diferenças entre condicionamento geral e condicionamento especial. Este último refere-se à resistência necessária para executar especificamente a modalidade a que o atleta se dedica.
Se o condicionamento geral for adquirido através de um treinamento físico com atividades e movimentos que se aproximam da modalidade principal, melhor será a qualidade do condicionamento especial. Normalmente os atletas com bom condicionamento geral são também os mais perseverantes em sua atividade específica. Se, pelo contrário, o condicionamento geral é construído por uma atividade completamente diferente de esporte do atleta, a contribuição será muito superficial dentro do condicionamento especial necessário para o desempenho de seu esporte. É simples entender:

O corredor de longa distância tem mais resistência do que o levantador de peso se houver longas distâncias para percorrer. Mas este mesmo corredor tem condicionamento muito mais pobre do que o do levantador de peso, se há peso a ser levantado.

O trabalho muscular do corredor de longa distância ocorre apenas com um suprimento de oxigênio muito grande. O esforço executado pelo levantador em um curto espaço de tempo é tão grande que ele nunca é capaz de obter um completo fornecimento de oxigênio. Seus músculos podem trabalhar com um abastecimento de oxigênio insuficiente. Na primeira categoria, o coração, sistema vascular e os órgãos de respiração têm influência fundamental. No outro grupo, a ênfase é sobre o aparato motor. Como mostra a pesquisa de M. I. Majsuradse, o treinamento de condicionamento de corredores de longa distância tem efeito negativo sobre o desenvolvimento da força. Por outro lado, o treinamento de força dos levantadores de peso não é bom para corredores de longa distância.

Levantadores de peso adquirem condicionamento especial pelo trabalho com os pesos. O método principal de condicionamento em que os levantadores de peso se baseiam é aumentando o número de séries de cada sessão de treinamento. Como já sabemos, a força cresce mais pelo treinamento com pesos pesados em que o levantador não é capaz de executar mais de duas ou três vezes.


Se alguém quiser aumentar a resistência, os pesos utilizados não devem exceder 60-70% do máximo. Este tipo de treinamento fará pouco mais do que aumentar a resistência, se praticada por levantadores experientes. O aumento da força com esse programa é muito limitado. No entanto, esse tipo de treino tem valor em aumentar a capacidade de recuperação para absorver o castigo de rotinas do treinamento mais pesado, podendo aumentar sua condição através de treinamento regular 20-30 vezes mais do que sua força e velocidade. 
 
Em sua época, levantadores como Medvedev e Plukfelder (imagem ao lado) levantavam um total de 10-15 toneladas ao longo de um treino de 3 a 3 ½ horas sem ficar particularmente cansados depois dessa rotina. Vlasov levantava até 20 toneladas em um dia de treinamento e estava pronto para o dia seguinte. É claro que só levantadores muito bem treinados podem suportar e se beneficiar de cargas de trabalho elevadas.
Para iniciantes, 1-3 toneladas por dia de treinamento é suficiente. No entanto, até isso pode ser demais. Só gradualmente, com as funções dos vários sistemas do corpo se adaptando e melhorando, o levantador suporta uma carga significativamente maior de treinamento sem esgotar-se.

Flexibilidade
A flexibilidade é a capacidade de executar um movimento completamente, ou seja, com uma amplitude completa de movimento. Essa capacidade é dependente da mobilidade nas articulações, elasticidade nos tendões e músculos.

O aumento do tônus dos músculos que se observa após o treinamento reduz a mobilidade das articulações. Sem boa mobilidade nas articulações, um funcionamento poderoso e rápido dos músculos é impossível. Se a capacidade de movimento é boa, o músculo é capaz de executar com total eficiência. 

A pesquisa do Professor A. V. Korobkov mostra que a maioria dos campeões apresenta excelente flexibilidade nas articulações. Vlasov (imagens ao lado e abaixo), Kurinov e outros são exemplos de uma extraordinária flexibilidade e mobilidade. Flexibilidade é especialmente importante para os levantadores de peso por ser vital para o desempenho no esporte. Mas uma sessão de treinamento tende a diminuir o movimento e a flexibilidade nos membros e principalmente na coluna vertebral, que vão se compactando pelo peso. Exercícios de flexibilidade – não confundir com “alongamentos” - devem ser incluídos no início e no final de cada exercício, principalmente após muitas puxadas e desenvolvimentos pesados.
 
Após os levantamentos e os agachamentos recomendamos tocar no chão com os dedos, mantendo os joelhos retos. Recomenda-se também que se pendure em um espaldar ou barra horizontal.

Também é verdade que os levantadores que têm dificuldade para endireitar os braços para preparar o 2º tempo (demonstrando falta de flexibilidade do cotovelo) encontram dificuldade ao estender os braços e exercícios de flexibilidade podem facilitar a acomodação. Para melhorar a flexibilidade do ombro e dos cotovelos: levantar um bastão sobre a cabeça mantendo os braços esticados e então trazê-lo por trás do pescoço e nas costas.

Desenvolvimento de flexibilidade requer prática constante. Incluir exercícios de flexibilidade apropriada antes, durante e depois do treino irão desenvolver uma amplitude completa do movimento. Além dos exercícios praticados no treino, se possível deve-se fazer algum trabalho de flexibilidade em casa. Se esforce para ir um pouco mais para aumentar a amplitude do movimento.

Flexibilidade e Velocidade são de importância vital para o levantador de peso. Negligenciar estas duas Valências Físicas só diminuem as chances de sucesso.
 







Arkady Vorobiev (1924– 2012)

tradução e adaptação: Jorge Califrer



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Norbert Schemansky



Norbert Schemansky (30 de maio de 1924, Detroit, Michigan - 07 de Setembro de 2016) campeão mundial e olímpico de Levantamento de Peso.

Quando Norbert Schemansky pediu a seu chefe um tempo para participar dos Jogos Olímpicos de 1948, teve a seguinte resposta: “vai ter o tempo todo que quiser, vou demiti-lo”. Schemansky disse: “não precisa me demitir, já estou saindo". Esta era uma das lembranças que Schemansky tinha de sua época de levantador de peso depois de mais de meio século.
Schemansky foi o primeiro levantador de peso a ganhar quatro medalhas olímpicas. Ele fez sua estreia nos Jogos Olímpicos de 1948 em Londres, ganhando medalha de prata na categoria de peso acima de 82,5kg, atrás de seu compatriota John Davis.
Quatro anos depois em Helsinque, ganhou o ouro na categoria até 90 kg, à frente do soviético Gregori Novak. Depois dos Jogos, retorna para sua casa nos Estados Unidos em Michigan e na obscuridade.
"Tive muitos empregos e minha esposa trabalhou muito - se não fosse por ela eu provavelmente não poderia ter me dedicado ao esporte". Schemansky já era campeão do mundo antes das Olimpíadas de 1952 e, quando foi competir, estava novamente desempregado, mas confiante. Lá, ele realizou o que nenhum halterofilista nunca tinha feito antes: o primeiro peso pesado a levantar o dobro do peso corporal. "Quando ganhei a medalha de ouro, eu pesava menos de 90kg e fiz 177,5kg de arremesso.”

"Para levantar peso naquela época, nós tínhamos apenas que limpar nossas unhas, nossos dedos, dar uma cuspida..."
Ficou fora dos Jogos Olímpicos de 1956 por causa de uma lesão nas costas, em que os médicos presumiam que ele ficaria paralítico. Contrariando as espectativas médicas retornou aos treinos e, em 1960, em Roma, ganhou medalha de bronze na categoria acima de 90kg, atrás de Yuri Vlasov da União Soviética, e do também americano James Bradford. 
Em 1964, Tóquio, sua quarta Olimpíada e aos 40 anos, Schemansky novamente ganhou o bronze na categoria acima de 90kg, atrás dos soviéticos Leonid Zabotinski e Yuri Vlasov.
Entre 1947 e 1964 Schemansky, ganhou sete medalhas nos campeonatos mundiais, três das quais de ouro. Em 1955, no México, ganhou o ouro nos Jogos Pan-Americanos. Não bastasse, Schemansky foi campeão de fisiculturismo em 1953 (Mr. Michigan).
Definiu 16 recordes mundiais ao longo de sua carreira — dois no Desenvolvimento, cinco no Arranco, seis no Arremesso e três no Total.
Um atleta que foi reconhecido em todo o mundo, mas não em casa. Schemansky é mais conhecido em Moscou do que em Michigan. "Eu tenho mais reconhecimento na Rússia do que aqui", disse Schemansky. "Um amigo meu costumava ir à Rússia durante o verão e certa vez ele estava sentado no restaurante, falando sobre mim. O garçom ouviu mencionar meu nome e pediu um autógrafo a este meu amigo, só porque ele me conhecia."
Schemansky pode ser considerado um dos últimos puros atletas amadores. Ele ganhou quatro medalhas olímpicas - o ouro, a prata e dois bronzes em quatro Olimpíadas – “e mais um monte de outras porcarias”, como ele diz, em várias competições de levantamento.

"Nem um centavo" disse ele sobre o seu salário como atleta. Hoje todos são profissionais bem pagos. Há sessenta anos, Campeões Olímpicos se esforçavam para vencer e a recompensa era olhar a coleção de medalhas. "Você acreditaria que alguém competiu por algo parecido?", mostrando uma medalha menor do que uma moeda de 5 centavos. "Não há mais aquele verdadeiro Espírito Olímpico", disse Schemansky. "Hoje são Jogos do Dinheiro". “Eu estava olhando uma foto de um jovem esquiador na capa da revista Sports Illustrated. Contei 13 patrocinadores: a faixa na cabeça, o equipamento, os esquis, a vestimenta etc., tudo com propaganda dos patrocinadores impressa." Schemansky continua: “Nunca recebi um apoio e não se podia receber nada," ele disse.

Ao longo dos anos que Schemansky competiu — sem receber fundos ou reconhecimento — quem controlava os esportes era a União Atlética Amadora. A AAU controlava atletas olímpicos dos Estados Unidos e as regras eram rígidas com relação a receber dinheiro. Uma vez a AAU deu-lhe um emblema para costurar no uniforme. Ele guardou na carteira. "É onde deve ficar", ele disse. "Não gostavam do que eu costumava dizer a eles."

Os atletas Olímpicos de hoje tem dietas especiais, preparadas por nutricionistas, suplementos, alguns usam esteróides. Schemansky teve sua dieta especial, também: Hamburguer, Pizza, Cerveja. "Se eu competisse atualmente, seria milionário. Uma cervejaria iria me patrocinar e uma rede de fast-food também".

O levantamento danificou o corpo de Schemansky. Após cirurgias por conta de duas rupturas de disco, retornou ao esporte quebrando recordes mundiais. Ele desafiou os médicos. "Os médicos disseram que nem caminhar eu poderia", disse ele. "Talvez eles estivessem certos. Eu não caminho bem agora e não posso levantar-me com facilidade”. Ele tinha 78 anos quando deu esta entrevista, este tipo de ironia e humor sempre o acompanharam.

"Tem um parque com o meu nome em Dearborn," disse ele, mostrando uma foto do Schemansky Park. "As pessoas perguntavam 'Quem foi Schemansky?' Agora eles colocaram uma placa com minhas conquistas."

Em 2005, a Federação Internacional de Levantamento de Peso (IWF) ao comemorar o primeiro centenário, reconheceu Schemansky e Tommy Kono como "Melhores levantadores de peso dos primeiros 100 anos da IWF".

Tommy Kono conta sobre o senso de humor de Schemansky:
Kono acabara de ganhar o Mr. World de 1954, concurso de fisiculturismo realizado junto com o Campeonato Mundial de Levantamento de Peso. "Norb veio para me felicitar. Enquanto ele me cumprimentava, virava a cabeça ao redor, e disse: ‘que mundo pequeno!’.” Rindo da lembrança, Kono acrescentou: "É o tipo de humor dele."

“Skee” utilizava a técnica de split. Repare abaixo o momento em que ele, no ar, já vai posicionando as pernas e a profundidade em que ele executa o encaixe da barra.













Tanto para fazer o Clean (primeiro tempo, utilizado no Desenvolvimento e no Arremesso) como no Arranco eram em split, e de uma profundidade que quase tocava o joelho no chão.
Suas melhores marcas em competições oficiais foram:
Desenvolvimento: 182½kg (em 1962); Arranco: 165kg (1964); Arremesso: 197½kg (1963).

Schemansky faleceu aos 92 anos, no dia 07 de Setembro de 2016.
Sobre a técnica de "Split": A partir da década de 70, tanto o Clean como o Arranco executados em split foram sendo deixados de lado até que o squat dominou as competições, embora continue sendo válido executar a técnica em split se o atleta preferir, mas hoje em dia é pouco comum vermos esta técnica sendo bem executada em competições. Não quer dizer que os atletas splitters eram menos eficientes, pois as marcas alcançadas eram bem consideráveis na época em que o squat começou a dominar. Hoje só é comum vermos o segundo tempo do Arremesso executado em split, assim com as outras duas técnicas com pés paralelos: a executada em posição mais alta, "push jerk" e a mais profunda, o “squat jerk”, onde o atleta executa quase um agachamento a fundo.
                                                                                                                   Jorge Califrer  
                  + Trechos de entrevista dada a Jerry Green, The Detroit News, Jan/02